A Tripla restrição da carreira do Gerente de Projetos

Para que um projeto seja considerado um sucesso ao seu final, a tripla restrição deve ser atendida. Lembrando que a tripla restrição é composta pelo Escopo, Tempo, Custo e também Qualidade. Ou seja, são quatro as restrição que compõe a “Tripla Restrição”.

Fazendo esta analogia para a carreira de um gerente de projetos, podemos considerar que para que um profissional desta área tenha maiores chances de sucesso, ele também tenha que atender a Tripla Restrição para a carreira. Vamos a elas:

1ª. RestriçãoDomínio da disciplina de gerenciamento de projetos:

Da mesma forma que um padre deve conhecer a Bíblia, o gerente de projetos, principalmente os certificados ou aspirantes a certificados PMP devem conhecer a fundo o PMBOK. É importante mencionar aqui, que apesar desta publicação do PMI ser a mais reconhecida principalmente no Brasil, ela não é a única. Modelos como o PRINCE2, SCRUM (Metodologias ágeis) e a publicação do IPMA (International Project Management Association) são modelos interessantes e que merecem ser analisados – Em um Blog futuro estarei trazendo em mais detalhes sobre estes modelos.

Mas voltando ao PMBOK, dominar não somente as 9 áreas de conhecimento (seus processos e ferramentas) mas possuir um entendimento bem sólido dos 3 primeiros capítulos do Guia é essencial para um profissional de gerenciamento de projetos. Ter clareza sobre modelos de estruturas organizacionais, entender as dimensões Programas e Portifólio, Planejamento estratégico e o que vem a ser Escritório de Projetos e seus tipos é algo essencial. Muitos profissionais de projetos às vezes não enxergam o contexto maior na qual um projeto esta envolvido, limitando o seu desenvolvimento como profissional. Portanto tem uma visão do que chamamos de Governança de projetos é essencial.

– 2ª. RestriçãoConhecimentos da área de atuação:

Há um ditado no nosso mundo de gerenciamento de projetos que diz que o gestor que conhece bem metodologias, processos, ferramentas e melhores práticas de gestão de projetos pode “tocar” qualquer tipo de projeto. Isso no fundo é mesmo verdade, mas dentro de um contexto que deve ser considerado como, por exemplo, possuir uma boa equipe ao seu lado. Um gerente especialista em liderar projetos de software, por exemplo, poderia sim gerenciar um projetos de infraestrutura ou até mesmo a construção de um prédio, mas desde que ele tenha em sua equipe profissionais “tecnicamente” gabaritados para atuarem em lideranças técnicas e também no apoio a gestão.

Mas um grande diferencial que o mercado valoriza, além claro dos conhecimentos e experiência em gerenciamento de projetos é o domínio técnico do segmento de atuação. Como exemplo, podemos citar que Gerentes de projetos com alto conhecimento técnico em desenvolvimento de software é muito valorizado neste segmento e na competição de mercado, quanto mais visão técnica um gestor tem, maior se torna seu diferencial.

3ª. RestriçãoHabilidades interpessoais, de comunicações e etc …:

Esta restrição é indispensável para qualquer profissional de sucesso, pois relacionamento com equipe, clientes e fornecedores, além de habilidades de negociação e motivação são fatores que determinam o sucesso de um gestor em qualquer ramo de atividade, principalmente em projetos.

Segundo o PMI, 90% do tempo de um gerente de projeto é utilizado em comunicações (aliás, pergunta de caí no exame do PMP). Reuniões, acompanhamento, status report, feedbacks e outras atividades diárias de comunicação fazem parte o trabalho diário de um gestor, principalmente em projetos complexos onde a quantidade de interessados é significante.

Talvez de todas as restrições, esta seja a mais difícil para um profissional reconhecer e se desenvolver, pois certamente se as habilidades interpessoais, comunicações, negociações e liderança forem pontos fracos do gerente, este fato pode colocar o próprio gerente de projetos como o maior risco em um projeto. Mas a boa notícia é que isso pode ser desenvolvido e melhorado. Mas o profissional precisa reconhecer e trabalhar bem este aspecto.

4ª. RestriçãoGostar do que faz:

Se esta restrição não estiver no sangue do profissional de gerenciamento de projetos, certamente as outras três estarão comprometidas. A profissão de gerenciamento de projetos para muitos é algo apaixonante (e é mesmo). Para alguns se torna quase que uma religião que extrapola os limites profissionais e é parte integrante da vida pessoal. Conheço profissionais que para tudo usam o raciocínio orientado em processos e boas práticas de gerenciamento de projetos. É simplesmente algo fantástico e que faz toda a diferença em relação aos “profissionais comuns” que simplesmente “tocam” projetos. Pois como disse no início, a gestão de projetos para muitos esta no sangue, é natural e faz parte inclusive do cotidiano.

A profissão de gerenciamento de projetos é desafiadora, muitas vezes dura e até em certos momentos ingrata. Mas para quem consegue sobreviver nesta carreira, ela traz muitas recompensas não só do ponto de vista profissional, mas como também pessoal. É uma profissão que permite um crescente desenvolvimento de habilidades pessoais, interpessoais, negociação, liderança e muito mais. Sem contar o que aprendemos com as 9 áreas de conhecimento do PMBOK e com as questões da ética profissional.

Para finalizar, deixo aqui uma visão que já mencionei em um Blog passado: “As boas práticas de gestão de projetos não são apenas para o mundo profissional. Elas se aplicam perfeitamente para nossas vidas pessoais, mas isso só funciona para aqueles que realmente conhecem, gostam e sabem dos benefícios que ela pode nos trazer”.

Aguardo seus comentários sobre o tema !!!

Marcos Pires, PMP,  Gerente de escritório de projetos (PMO), professor para cursos de MBA em Gestão de Projetos, instrutor de preparatórios para certificação PMP e colunista para jornais, revistas e sites sobre o tema gerenciamento de projetos.

Email:  marcos.pires.2000@bol.com.br

Perfilhttp://www.linkedin.com/in/marcospiresgp

Twitter: http://www.twitter.com/projetizado

Relacionamento (Networking) é fator chave de sucesso para profissionais de Projetos

O assunto desta semana no nosso Blog é um tema que muitos profissionais sabem o que é,  poucos usam e pouquíssimos sabem usar. Mas idéia aqui não é apresentar dicas de como montar e gerir de forma adequada uma rede de relacionamentos (existem boas publicações e sites que podem ajudar nesta questão), mas sim alertar sobre a importância de se desenvolver e estabelecer uma rede de relacionamento que não só é bom para quem busca novas oportunidades, mas também (e as vezes principalmente) para o desenvolvimento da carreira.

Networking para profissionais de projetos:

Além das competências e habilidades gerenciais exigidas para todo profissional de gerenciamento de projetos, o Networking TEM QUE SER uma habilidade nata de qualquer profissional, principalmente para quem atua em projetos, por um motivo muito simples, que a própria definição de Projeto (empreendimento com início e fim definidos) nos alerta. Se projeto tem fim defino, há sempre uma atenção dos profissionais em relação ao próximo empreendimento (pois vivemos de projetos), que em algumas situações podem ser incertas, inclusive com possibilidades de não haver projetos na própria organização onde se esta atuando. É aí que um Networking bem administrado faz a diferença para qualquer profissional, pois ter bons contatos e relacionamentos podem abrir novas oportunidades.

PMI promove eventos com foco em Networking:

A revista PMI Today (publicação oficial do Project Management Institute) deste mês de Julho trás uma reportagem sobre dois eventos patrocinados pelos Capítulos do PMI de Nova Iorque e da Flórida onde ambos tiveram um grande foco sobre o tema Networking. O destaque mais interessante ficou por conta do evento da Flórida que foi especificamente direcionado a promover o desenvolvimento do relacionamento profissional entre os 110 participantes do evento, que foi dividido em duas partes, onde na primeira os organizadores promoveram uma troca de cartões de visitas e até mesmos currículos entre os profissionais e na segunda parte, um especialista em carreiras apresentou para os profissionais presentes a importância do contínuo desenvolvimento de uma rede de relacionamentos profissionais além de várias dicas práticas para se criar e manter um networking.

Este evento da Flórida teve uma enorme repercussão positiva, e que agora, segundo o PMI da Flórida, fará parte de uma agenda regular do capítulo, que constantemente abre espaços para o desenvolvimento desta prática.

Em São Paulo, há um grupo de profissionais da área de gerenciamento de projetos que regularmente organiza um jantar com a finalidade principal de promover e desenvolver redes de relacionamentos entre seus participantes. Este evento geralmente é aberto, ou seja, qualquer profissional pode participar.

Ferramentas de Networking:

Hoje mais do que nunca esta muito fácil desenvolver e manter uma rede relacionamentos, pois existem ferramentas fantásticas para estes fins. A minha preferida sem dúvida é o site Linkedin, que talvez por ser uma dos mais antigos sites de relacionamento da Web e possuir um perfil especificamente profissional é um dos mais utilizados pela comunidade de gerenciamento de projetos. O site possui mecanismos de buscas eficientes, grupos de discussão, repositórios para armazenagem e apresentações de trabalhos em Power Point e um resumo semanal das movimentações de sua rede de contatos. MUITO BOM !!!

O Twitter, a nova febre da web, também é um bom mecanismo de Networking, mas trata-se de um modelo de rede mais social (“aberto”), ou seja, não especificamente profissional, onde requer uma abordagem um pouco diferenciada.

Uma dica:

Para finalizar, gostaria de indicar um vídeo e um podcast (que podem ser visto e  ouvido respectivamente, direto dos sites, não é necessário baixá-los) de aproximadamente cinco minutos cada um, que são muito interessantes e que freqüentemente apresento em meus treinamentos (quando falo sobre o tema Networking). No primeiro link, o consultor Max Gehringer mostra uma matéria produzida junto ao programa Fantástico da Rede Globo sobre o tema e que traz dicas muito importantes sobre rede de relacionamento. No segundo link é um dos ótimos trabalhos que nosso colega Ricardo Vargas (http://www.ricardo-vargas.com) produziu a respeito de uma experiência muito interessante que lhe ocorreu através do Linkedin.

Max Gehringer (sobre Networking):

http://www.4shared.com/file/115586539/4ce03748/Networking___Emprego_de_A_a_Z__Max_Gehringer.html

Ricardo Vargas (sobre o Linkedin):

http://www.ricardo-vargas.com/pt/podcasts/networkinglinkedin/

Aguardo seus comentários sobre o tema !!!

Marcos Pires, PMP,  Gerente de escritório de projetos (PMO), professor para cursos de MBA em Gestão de Projetos, instrutor de preparatórios para certificação PMP e colunista para jornais, revistas e sites sobre o tema gerenciamento de projetos.

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Líder de Projeto, Coordenador de Projeto, Gerente de Projeto, … Esclarecendo cada Função !

Há uma grande confusão no mercado em relação aos cargos para profissionais de projetos, pois é muito comum vermos anúncios de oportunidades para Coordenadores de Projetos que exigem especialização acadêmica, certificação PMP e grande experiência em projetos. Como também vagas para Gerentes de Projetos onde é crucial que o profissional tenha grande capacidade para exercer funções técnicas, como por exemplo, de programação de software. Estes são apenas dois exemplos superficiais de como muita gente, principalmente o mercado está um pouco confuso não só em relação a definição do nome do cargo, mas principalmente das funções a serem exercidas pelos profissionais.

Um dos grandes motivadores para esta confusão toda é que não há uma definição oficial, formalmente reconhecida em relação aos cargos para profissionais de gerenciamento de projetos para o mercado como um todo, até mesmo porque o cargo de Gerente de Projetos é relativamente novo, pelo menos no Brasil, onde há alguns anos atrás “a nomenclatura” não era utilizada como nos dias de hoje.

Bom … vamos ao foco do assunto !!!

A idéia aqui é esclarecer um pouco as diferentes funções para cada cargo que envolve o nome Projetos:

Coordenador de Projeto: Este profissional, onde é muito comum atuar em dois tipos  diferentes de contextos. O primeiro e mais freqüente é quando este profissional atua como o próprio nome diz, na coordenação de uma área ou frente importante dentro de um projeto de porte geralmente de médio para grande. É muito comum nestes projetos que haja coordenadores responsáveis por alguma “parte”, como por exemplo, pela fase de construção (programação) em  projeto de desenvolvimento de software, pois é na fase de execução que geralmente há um grande esforço do projeto e o papel de um coordenador se torna indispensável, pois tal função as vezes poderia não ser exercida pelo gerente do projeto por diversos fatores tais como tempo de envolvimento direto ou mesmo estar gerenciando outros projetos. Muitas vezes a falta de um conhecimento profundamente técnico do gerente de projetos justifica a presença de um Coordenador.

Para os casos de projetos de software, o papel do Coordenador de Projetos pode ser muito amplo, podendo ir deste o entendimento de requisitos, validações técnicas, distribuição e validação das demandas de trabalho e até mesmo (em muitos casos), colocar a mão na massa, ou seja, realizar também a programação.

É importante mencionar, que para esta função, o foco do Coordenador é mais voltado para as questões técnicas ou mesmo de negócio (escopo) do Projeto. Em algumas estruturas este profissional é chamando inclusive de Coordenador ou Líder técnico, pois geralmente o profissional que ocupa esta função tem como principal característica a sua expertise técnica.

Se o foco deste profissional é técnico, entende-se que a questão da gestão não deveria ser atribuída na sua totalidade para ele, pois só a questão técnica em muitas vezes toma toda a atenção e tempo do Coordenador. É comum que este profissional tenha uma interatividade muito grande com o Gerente do Projeto, no sentido de lhe fornecer todos os dados pertinentes para que o Gestor do Projeto possa realizar os controles da entregas do projeto, além dos custos, riscos, comunicações e etc.

Há um outro contexto que a figura do Coordenador de Projetos aparece. Nas estruturas matriciais, principalmente as equilibradas ou fracas, onde a responsabilidade do projeto geralmente recaí em um gerente funcional para a qual o Coordenador de Projetos hierarquicamente responde.

Apenas como curiosidade, hoje a grande maioria dos alunos que buscam os cursos de especialização (MBA) em gerenciamento de projetos são exatamente profissionais com este perfil e nestas situações profissionais.

Líder de Projetos: Este é um profissional de gestão ! A diferença para o mercado é que o tal Líder atua em contextos menores, ou seja, projetos de pequeno porte, com escopo, orçamentos e equipes de pequeno porte, mas que a gestão (como para qualquer projeto) é essencial. Muitas vezes nestas situações um pouco mais simples é comum ver o Líder de Projeto envolvido em questões técnicas, mas nunca deixando o foco do gerenciamento (principalmente escopo, tempo, custos e qualidade) de lado. Este envolvimento técnico é possível geralmente pelo pouco tempo gasto no gerenciamento, principalmente quando um plano de projeto é bem elaborado, a execução tem poucos desvios e também a quantidade de projetos sob gestão do Líder é baixa.

Para o Líder de Projetos, o perfil ideal que o mercado busca é o profissional que tenha uma boa bagagem técnica e principalmente visão de processos, técnicas e boas práticas de gerenciamento de projetos.

Gerente de Projetos: Profissional integralmente responsável pelo empreendimento que gerencia. Ou seja, responsável pelo escopo, custos, riscos, qualidade e pela equipe. É o ponto focal de clientes, áreas usuárias e fornecedores, além do efetivo gerenciamento  adequado da comunicação junto a todas as partes interessadas do Projeto.

Este é o profissional que tem como objetivo final entregar o produto ou serviço resultante do projeto conforme as expectativas acordadas (principalmente as restrições), satisfazendo o cliente final, patrocinadores e equipes.

O perfil exigido para um Gerente de Projetos hoje no mercado é de um profissional com experiência em sua área de atuação (desenvolvimento de software, infraestrutura, construção civil), vivência em gerenciamento de projetos, domínio de técnicas, processos e ferramentas de gerenciamento e preferencialmente com uma especialização na área de projetos (MBA) e ou uma certificação internacional como o PMP.

Para finalizar, é bom lembrar que as variações de nomenclaturas e funções em geral (para quaisquer cargos) podem estar vinculadas aos aspectos políticos, culturais e estruturais de cada Organização. A idéia aqui foi passar uma visão do lado generalista do mercado. Portanto as definições acima não são uma regra.

Marcos Pires, PMP,  Gerente de escritório de projetos (PMO), professor para cursos de MBA em Gestão de Projetos, instrutor para cursos de certificação PMP e colunista para jornais, revistas e sites sobre o tema gerenciamento de projetos.

Email:  marcos.pires.2000@bol.com.br

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